Guillaume Cizeron, uma das figuras mais brilhantes da patinação artística no gelo, consolidou seu lugar na história do esporte com um desempenho olímpico sem precedentes. No entanto, o brilho de suas medalhas tem sido recentemente ofuscado por uma série de polêmicas e acusações que circulam na mídia, exigindo um olhar atento e um esclarecimento detalhado dos fatos.
A Ascensão Meteórica e o Brilho do Duplo Ouro Olímpico
A trajetória de Cizeron no cenário internacional é marcada por uma série impressionante de conquistas. Sua parceria de longa data com Gabriella Papadakis rendeu frutos históricos. Juntos, eles conquistaram a tão cobiçada medalha de ouro olímpica nos Jogos de Inverno de 2022 em Pequim, um marco inesquecível para a França e para o esporte. Além do ouro olímpico, a dupla colecionou cinco títulos mundiais na disciplina de dança no gelo, solidificando seu domínio por anos antes de encerrar a parceria.
Após a separação profissional com Papadakis, Cizeron não demorou a encontrar uma nova parceira e a reeditar o sucesso olímpico. Com Laurence Fournier Beaudry, sua parceira atual desde 2025, ele conquistou o ouro olímpico nos Jogos de Inverno de 2026 em Milão-Cortina. Este feito notável o coloca em um seleto grupo de atletas com medalhas de ouro olímpicas em edições distintas dos Jogos e com parceiras diferentes, sublinhando sua excepcionalidade no esporte.
O Livro de Gabriella Papadakis: Relatos de uma Parceria Tóxica
A despeito do sucesso estrondoso no gelo, a relação de Cizeron com sua ex-parceira, Gabriella Papadakis, tornou-se o centro de uma controvérsia pública. Em janeiro de 2026, Papadakis lançou seu livro de memórias intitulado “Pour ne pas disparaître” (“Para não desaparecer”, em tradução livre). Na obra, ela compartilha sua perspectiva sobre a carreira, a dinâmica da parceria com Cizeron e aspectos que ela veio a considerar tóxicos no relacionamento entre os dois.
Papadakis descreve o relacionamento com Cizeron como “desequilibrado”, pontuado por comportamentos que ela interpretou como controladores e exigentes ao longo de anos de treinos e competições. Essas alegações, de natureza autobiográfica e pessoal, levantaram um debate significativo. Em resposta, Guillaume Cizeron negou veementemente as acusações, classificando-as como “difamatórias” e anunciando a intenção de tomar medidas legais contra a disseminação dessas alegações, afirmando que o livro contém informações que ele não reconhece como verdadeiras.
É crucial notar que os relatos de Papadakis são parte de sua perspectiva pessoal e autobiográfica; eles não constituem um processo criminal em si, e não há confirmação de investigação judicial pública contra Cizeron com base nesses relatos até o momento.
Esclarecendo a Confusão: As Acusações de Abuso Sexual Não Envolvem Cizeron
Um ponto de grande sensibilidade e confusão na cobertura midiática tem sido a menção a “acusações de abuso sexual”. É imperativo esclarecer que as informações que circulam sobre acusações de abuso sexual não se referem a Guillaume Cizeron. Tais alegações, muitas vezes aproximadas erroneamente ao contexto de Cizeron, na verdade, dizem respeito a Nikolaj Sorensen, ex-parceiro no gelo e na vida de Laurence Fournier Beaudry, a atual parceira de Cizeron.
Sorensen foi acusado em 2012 de abuso sexual por outra patinadora e, após investigações por federações esportivas, foi suspenso do esporte por um período, embora ele e sua defesa tenham contestado as acusações. A situação de Sorensen gerou um grande debate, especialmente porque Laurence Fournier Beaudry o apoiou publicamente durante as controvérsias, o que reacendeu discussões sobre como a comunidade esportiva lida com casos de abuso.
A confusão de algumas fontes, que parecem sugerir que Cizeron estaria envolvido em casos de abuso sexual, parece resultar de uma mistura ou aproximação indevida de contextos distintos: por um lado, o relato autobiográfico de Papadakis sobre uma parceria tensa e de controle, e por outro, a grave acusação que atingiu o ex-parceiro de Fournier Beaudry, e não Cizeron diretamente.
Onde Estão os Documentos e as Provas?
No centro da polêmica envolvendo Guillaume Cizeron está, principalmente, o livro de memórias de Gabriella Papadakis, “Pour ne pas disparaître”. Esta obra é a fonte dos relatos autobiográficos que desencadearam a atual discussão na mídia.
Até o momento, não há publicações acadêmicas, documentos oficiais ou sentenças judiciais abertas ao público que confirmem acusações criminais contra Cizeron com base no que Papadakis relata. A discussão está sendo travada predominantemente na esfera da mídia e através das declarações das partes envolvidas.
Da mesma forma, a acusação contra Nikolaj Sorensen é um caso distinto, investigado por federações esportivas e com suas próprias especificidades legais, e não possui qualquer relação com as parcerias ou relações atuais de Guillaume Cizeron.
Conclusão
A carreira de Guillaume Cizeron é um mosaico de brilho esportivo e desafios pessoais. Enquanto suas medalhas de ouro olímpicas com duas parceiras diferentes atestam seu talento e dedicação, as controvérsias recentes exigem uma análise cuidadosa. É fundamental distinguir entre as alegações de uma parceria desafiadora, expressas no livro de Gabriella Papadakis, e as graves acusações de abuso sexual que, em vez de Cizeron, referem-se a Nikolaj Sorensen. Somente através de uma apuração clara e contextualizada é possível compreender a complexidade dos eventos que envolvem um dos maiores nomes da patinação artística mundial.



