Argentina: Senado Aprova Reforma Trabalhista de Milei Sob Tensão e Inflação Crescente

O Senado argentino deu aval à reforma trabalhista de Javier Milei em meio a intensos protestos, denúncias de repressão e uma inflação persistente. Entenda os impactos e o cenário político-econômico do país.

Equipe TrendsBR — São Paulo
12/02/2026 19:27
f
w
t
Argentina: Senado Aprova Reforma Trabalhista de Milei Sob Tensão e Inflação Crescente
Reprodução / Google Search

O Senado da Argentina aprovou, em meio a um cenário de fortes protestos e repressão policial, a controversa reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A medida, parte de um pacote de amplas reformas destinadas a reestruturar a economia argentina, marca uma vitória crucial para o governo ultraliberal, mas também intensifica a polarização política e social no país.

A Reforma Trabalhista: Ponto Central da Agenda de Milei

A aprovação da reforma trabalhista pelo Senado, após um debate acalorado, representa um dos pilares da agenda de desregulamentação e austeridade de Javier Milei. O projeto visa flexibilizar as relações de trabalho, reduzir custos para empregadores e, segundo o governo, estimular a geração de empregos e a produtividade. As medidas incluem alterações significativas em aspectos como contratos de trabalho, indenizações por demissão e a atuação de sindicatos, que historicamente possuem forte influência na Argentina.

A proposta gerou um intenso embate entre o governo e setores da oposição, movimentos sociais e sindicatos, que a veem como um ataque aos direitos dos trabalhadores e uma precarização das condições laborais. A aprovação foi possível após negociações e ajustes no texto original, que contaram com o apoio de senadores de diferentes bancadas, apesar da resistência expressa por parte da oposição mais ferrenha.

Protestos e Repressão Marcam a Votação

Enquanto o Senado debatia e votava a reforma, as ruas de Buenos Aires se tornaram palco de massivos protestos. Milhares de pessoas, incluindo trabalhadores, líderes sindicais e ativistas sociais, manifestaram-se contra as políticas de Milei, denunciando a reforma trabalhista como um retrocesso. A tensão escalou para confrontos entre manifestantes e forças de segurança, que utilizaram gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar as multidões.

O cenário de repressão tem sido uma marca do atual governo, com veículos de imprensa, como o Brasil de Fato, reportando que a Argentina tem visto a repressão se tornar um método de governo, com relatos de pessoas sendo "caçadas nas esquinas" durante as manifestações. Organizações de direitos humanos e observadores internacionais têm manifestado preocupação com a escalada da violência e o cerceamento do direito à manifestação no país.

Inflação Persistente: O Grande Desafio Econômico

A aprovação da reforma e os protestos ocorrem em um contexto de profunda crise econômica na Argentina, marcada por uma inflação galopante. Dados recentes divulgados pela CNN Brasil mostram que, em janeiro, a inflação no país subiu 2,9%. Mais alarmante é o índice anual, que atingiu 32,4%, um dos mais altos do mundo.

Este cenário de alta nos preços dos alimentos, combustíveis e serviços impacta diretamente o poder de compra da população e exacerba as tensões sociais. O governo Milei justifica suas reformas e políticas de austeridade como medidas necessárias para combater essa inflação e estabilizar a economia. No entanto, os críticos argumentam que o choque econômico está aprofundando a recessão e aumentando a pobreza.

Próximos Passos e Implicações para a Argentina

Com a aprovação no Senado, a reforma trabalhista de Milei segue para a sanção presidencial. Embora seja uma vitória política para o presidente, o caminho à frente ainda é desafiador. A implementação das medidas deverá enfrentar resistência judicial e persistentes mobilizações sociais. Além disso, a capacidade do governo de gerenciar as expectativas da população e de mostrar resultados concretos na luta contra a inflação e a recessão será crucial para a sustentabilidade de seu projeto político.

A Argentina segue em um período de profundas transformações e incertezas, com o governo Milei determinado a implementar sua visão de um Estado mínimo e uma economia de livre mercado, enquanto grande parte da sociedade resiste às custosas consequências das reformas.